Diversificação e alocação de ativos
Não colocar todos os ovos na mesma cesta é o único "almoço grátis" dos investimentos. Como diversificar e por que a mistura entre ações e renda fixa decide quase tudo.
Diversificar é distribuir seu dinheiro entre investimentos que não se movem igual, para que o mau momento de um não arruíne tudo. Diz-se que é o mais parecido com um "almoço grátis" em finanças: reduz o risco sem necessariamente reduzir o retorno esperado.
As dimensões da diversificação
- Entre empresas: muitas em vez de poucas.
- Entre setores: tecnologia, saúde, consumo, finanças, energia…
- Entre países e moedas: México, EUA, o resto do mundo; pesos e dólares.
- Entre tipos de ativo: ações, renda fixa e, para algumas pessoas, ouro ou imóveis.
- No tempo: investir aos poucos em vez de tudo num só dia.
A correlação
A chave para diversificar é combinar coisas com correlação baixa: que não sobem e descem sempre juntas. Duas empresas de tecnologia muito parecidas têm correlação alta; ações e títulos do governo costumam ter correlação mais baixa, e em muitas crises os títulos de alta qualidade subiram enquanto as ações caíam (embora não sempre: em 2022 caíram os dois).
Alocação de ativos: a decisão mais importante
A alocação de ativos é que porcentagem você coloca em cada tipo de investimento, sobretudo entre ações e renda fixa. Essa mistura explica a maior parte de como sua carteira se comporta: quanto sobe, quanto cai e quão tranquilo você dorme.
| Mistura (ações / renda fixa) | Perfil típico | O que esperar |
|---|---|---|
| 20 / 80 | Conservador | Quedas pequenas, crescimento modesto |
| 40 / 60 | Moderado | Equilíbrio entre crescimento e estabilidade |
| 60 / 40 | Balanceado | Quedas notáveis em crises, bom crescimento no longo prazo |
| 80 / 20 ou mais | Agressivo | Quedas fortes em crises, mais crescimento esperado no longo prazo |
Não existe uma mistura correta para todos. Depende do seu prazo, da sua capacidade e da sua tolerância ao risco. Uma ideia comum é ter mais ações quanto mais distante estiver a meta e ir para a renda fixa conforme ela se aproxima.
Quantas ações você precisa para estar diversificado
Com 20 ou 30 ações de setores diferentes o risco específico de cada empresa cai muito, mas você continua exposto ao que acontecer com esses setores e com seu país. Um ETF amplo te dá centenas ou milhares de empresas numa só compra; por isso muita gente usa ETFs como base.
A falsa diversificação
Ter muitos instrumentos nem sempre é estar diversificado. Cinco ETFs de tecnologia, ou um ETF do S&P 500 mais um da Nasdaq-100 mais as mesmas grandes ações de tecnologia, podem concentrar seu dinheiro nas mesmas empresas. Verifique sua exposição real: o que você tem direto mais o que há dentro dos seus fundos.
O viés doméstico
Muita gente investe quase tudo no próprio país porque o conhece. O México representa uma parte pequena do mercado mundial; se além disso seu trabalho e sua casa dependem da economia mexicana, ter uma parte fora pode reduzir seu risco total.
Teste o que você aprendeu
1. O que você busca ao combinar investimentos com correlação baixa?
- Que subam e desçam sempre juntos
- Que não se movam sempre igual
- Pagar menos taxas
Ver a resposta
Que não se movam sempre igual. Assim a queda de um não arrasta todos.
2. Que decisão explica a maior parte do comportamento de uma carteira?
- Que ação individual você compra
- A mistura entre ações e renda fixa
- O dia da semana em que você compra
Ver a resposta
A mistura entre ações e renda fixa. A alocação de ativos define quanto sobe, quanto cai e quão estável é.
3. Você tem um ETF do S&P 500 e outro da Nasdaq-100. O que pode acontecer?
- Está perfeitamente diversificado
- Repete muitas das mesmas grandes empresas
- Não têm nada em comum
Ver a resposta
Repete muitas das mesmas grandes empresas. Há sobreposição: as grandes de tecnologia estão nos dois.
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Tudo nesta seção é educativo: explica como investir funciona, não diz o que comprar.