Lição 1 de 4 · 9 min de leitura · Intermediário

Risco, volatilidade e quedas: o que esperar

Investir em bolsa significa viver quedas. Saber quão grandes foram, quanto tempo levaram para se recuperar e quanto você aguenta é a melhor proteção.

Em investimentos, risco costuma significar duas coisas: que o valor do investimento suba e desça muito no caminho (volatilidade) e que você perca dinheiro de forma permanente. As duas importam, mas não são a mesma coisa: uma queda que se recupera é incômoda; uma perda permanente é a que se deve evitar.

Volatilidade

A volatilidade mede quanto o preço se mexe. Os CETES quase não se mexem; um ETF do S&P 500 se mexe bastante; uma ação pequena de tecnologia ou uma criptomoeda se mexem muitíssimo. Em troca de aceitar mais volatilidade, os investidores esperam mais retorno no longo prazo; senão, ninguém correria o risco.

InvestimentoVolatilidade típicaRetorno esperado no longo prazo
CETES e contas com jurosMuito baixaBaixo, perto da inflação ou um pouco mais
Títulos de longo prazoMédiaModerado
ETF amplo de açõesAltaMais alto, com anos muito ruins
Uma única açãoMuito altaMuito incerto: pode se multiplicar ou perder quase tudo

As quedas fazem parte do caminho

A história do S&P 500 mostra que quedas fortes acontecem com certa frequência. Dentro de um ano normal, é comum ver uma baixa de 10% ou mais em algum momento, mesmo que o ano termine positivo. E a cada tantos anos chega uma queda grande:

EpisódioQueda do S&P 500 (do máximo ao mínimo)Quanto levou para recuperar o máximo
Crise financeira 2007-2009≈ −57%Cerca de 5 anos e meio
Pandemia 2020≈ −34% em um mêsCerca de 5 meses
Inflação e juros 2022≈ −25%Cerca de 2 anos

Cada recuperação levou um tempo diferente e nada garante que a próxima seja igual. Mas quem vendeu no pior momento transformou uma queda temporária numa perda permanente.

A matemática das perdas

As perdas pesam mais que os ganhos: se você perde 50%, precisa ganhar 100% para voltar ao ponto de partida. Se perde 20%, precisa de 25%; se perde 30%, de quase 43%. Por isso controlar o tamanho das quedas importa tanto quanto buscar retorno.

Ganho necessário para se recuperar = 1 ÷ (1 − perda) − 1

Tipos de risco

  • De mercado: todo o mercado cai (recessões, crises).
  • Específico: uma empresa vai mal por si mesma; reduz-se diversificando.
  • De juros e de inflação: afetam sobretudo os títulos e a renda fixa.
  • Cambial: se seus investimentos estão em outra moeda.
  • De liquidez: não conseguir vender rápido a um preço razoável.
  • De concentração: ter demais numa só coisa.
  • Comportamental: suas próprias decisões em momentos de medo ou euforia; muitas vezes o mais caro.

Sua tolerância e sua capacidade de risco

A tolerância é emocional: quanto te angustia ver o investimento cair. A capacidade é prática: quanto você pode perder sem afetar suas metas (depende do prazo, da reserva de emergência e da estabilidade da renda). Sua carteira deve respeitar a menor das duas.

Teste o que você aprendeu

1. Se um investimento cai 50%, quanto precisa subir para recuperar o valor?

  • 50%
  • 75%
  • 100%
Ver a resposta

100%. Para voltar de 50 a 100 é preciso dobrar: +100%.

2. Que tipo de risco se reduz ao diversificar entre muitas empresas?

  • O risco específico de cada empresa
  • O risco de todo o mercado cair
  • O risco de inflação
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O risco específico de cada empresa. O que acontece com uma empresa pesa pouco numa carteira ampla.

3. O que é a capacidade de risco?

  • Quanto uma queda te angustia
  • Quanto você pode perder sem afetar suas metas
  • Quantas ações você tem
Ver a resposta

Quanto você pode perder sem afetar suas metas. Depende do prazo, da reserva de emergência e da renda.

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